Beatas de Cigarro - Poluição tóxica e plástica?

Quando pensamos na poluição provocada pelos plásticos, algumas imagens aterradoras surgem na nossa cabeça. Tartarugas com palhinhas no nariz, focas presas a redes de pesca e aves que morreram com o estômago cheio de partículas de plástico, são algumas das que me surgem imediatamente.

A questão é que não é preciso ir longe para vermos poluição plástica. O chão por onde andamos está cheio de partículas de plástico, que muitas vezes acabam por ser transportadas até aos oceanos. Na maioria das vezes, esses pedaços de plástico são beatas de cigarros. Por serem tão comuns no chão das cidades, existem relatos de crianças e cães que já engoliram acidentalmente beatas. E até já foram encontradas nos estômagos de animais selvagens, como aves marinhas e tartarugas. A ingestão pode causar vómitos e, em alguns casos, convulsões.

As beatas de cigarro podem parecer um material natural, à base de algodão, mas todas essas pequenas fibras são na verdade feitas de um plástico, chamado acetato de celulose. Este plástico pode levar até 13 anos para se degradar no ambiente. Mas mesmo quando se degrada, não desaparece simplesmente. O acetato de celulose quebra-se em milhares de pequenas fibras, dando origem aos chamados microplásticos. Os microplásticos podem viajar através dos canais aquáticos e ser ingeridos por animais, entrando assim na nossa cadeia alimentar. São um poluente invisível no nosso Planeta.

E não é apenas o acetato de celulose que polui o nosso Planeta. Também os milhares de químicos retidos nas beatas, são assim introduzidos no ambiente. Estes químicos são tóxicos para os peixes, insetos, plantas e humanos. Num estudo laboratorial, colocou-se uma beata de cigarro num litro de água e concluiu-se que a concentração de químicos dissolvidos seria suficiente para matar 50% dos peixes de água doce e salgada expostos a essa água, após apenas 4 dias.

As beatas de cigarro não são apenas lixo, são poluição plástica. Não nos podemos esquecer disso, nesta guerra contra o plástico. A consciencialização ambiental sobre o impacto ambiental das beatas de cigarro é o primeiro passo. O segundo, é sermos a mudança que desejamos ver no mundo.

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